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Inclusão de nomes sujos nos primeiros meses deste ano supera início de 2020

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CDL acredita que interrupção do auxílio emergencial e retomada do benefício com valor menor ampliaram inadimplência

Acrise econômica agravada pela pandemia do novo coronavírus tem aumentado em níveis preocupantes a inadimplência de consumidores em Bauru. A avaliação é da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da entidade indicam que a inclusão de nomes no cadastro negativo foi maior em todos os primeiros quatro meses deste ano em relação ao mesmo período de 2020. Até o último levantamento, feito em abril, 34,3 mil consumidores estavam com os nomes sujos na cidade, com dívidas que possuem valor médio na ordem de R$ 883,00.

A realidade atual preocupa e, de acordo com o consultor jurídico da CDL local, Elion Pontechelle Junior, a entidade já planeja um novo Leilão Limpa Nome para o próximo mês, como alternativa para tentar diminuir a inadimplência (leia mais abaixo).

EM NÚMEROS

Março e abril deste ano foram os que mais registraram aumento de inclusões em relação a 2020 (veja mais no quadro ao lado). Em março de 2021, foram 1.776 novas inserções, contra 1.057 no mesmo mês do ano anterior, um aumento de 68%.

Já em abril último, o volume de negativados cresceu quase quatro vezes, quando comparado com o mesmo mês de 2020: foram 305 novas pessoas com o nome sujo em abril do ano passado e 1.165 em 2021.

As exclusões do SPC, por sua vez, também caíram no período, com ênfase para os meses de janeiro e fevereiro de 2020 e 2021. Enquanto em janeiro do ano passado, 847 pessoas limparam seus nomes, o número caiu para 497 no mesmo mês neste ano, uma queda de 43%. Em fevereiro de 2020, 690 pessoas saíram do cadastro negativo, enquanto, em 2021, 445 deixaram o SPC, uma redução de 35%.

AUXÍLIO EMERGENCIAL

O consultor jurídico da CDL atribui o fenômeno à interrupção do auxílio emergencial e à sua retomada, em abril deste ano, com valor inferior. De R$ 600,00 pagos no ano passado, o valor das parcelas do benefício emergencial passou, entre o fim de 2020 e início de 2021, para R$ 300,00. Até que um novo auxílio fosse aprovado, os beneficiários ficaram cerca de dois meses sem a ajuda financeira. E, desde abril deste ano, o valor médio recebido caiu para patamares entre R$ 150,00 e R$ 375,00.

“O povo não tem mais de onde tirar dinheiro e a falta do auxílio piorou isso. Sem dinheiro, as contas vencidas ficam para segundo plano. A minha impressão é de que, com o auxílio emergencial atual, as pessoas não estão mais pensando em pagar dívidas, mas sim em comer. Parece que virou questão sobrevivência mesmo”, observa Elion Pontechelle Junior.

FECHAMENTO E SINAL

Além disso, ele elenca que o fechamento do comércio de Bauru, por mais de dois meses, também teria trazido prejuízos não só para os comerciantes, mas para pessoas autônomas que dependiam da movimentação do entorno dos centros de compras da cidade, como o Calçadão da Batista, para também consumir. “As campanhas para arrecadação de alimentos cresceram demais na cidade. Isso tudo demonstra como a situação está complicada”, comenta Pontechelle.

Ele destaca, no entanto, sinais de lenta recuperação. Como exemplo, Pontechelle cita o Dia das Mães de 2021, que foi aquém do de 2019 em relação às vendas, mas superior ao de 2020. “Tem uma classe de consumidores que continua no mercado de trabalho recebendo seu salário e consumindo normalmente. E é em torno dessas pessoas que o comércio tem girado no momento”, avalia.

CDL pensa em realizar novo Leilão Limpa Nome em junho

A dívida total no comércio em abril deste ano em Bauru somava R$ 45,3 milhões. Apesar de ser considerado bastante alto, o acumulado é inferior aos R$ 47,9 milhões registrados em outubro de 2020, quando a CDL promoveu, de forma inédita, o Leilão Limpa Nome.

No evento, os próprios consumidores indicam o quanto podem pagar para quitarem de vez suas dívidas. Diante do cenário, a CDL planeja um novo leilão do tipo para junho.

“O Leilão Limpa Nome nos deu um fôlego em 2020, as dívidas reduziram cerca de 30%. Mas, com a velocidade das novas inclusões, caminhamos para voltar ao patamar anterior”, comenta Elion Pontechelle Junior.  

por Marcele Tonelli
Fonte: JCNet