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Eu nasci e cresci no comércio

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Ele começou a trabalhar de atendente na lanchonete do pai aos 12 anos e, atualmente, preside uma das principais entidades do segmento

Foi na lanchonete do pai, na Bauru da década de 70, que ele teve o primeiro contato com o mercado de trabalho e o comércio propriamente dito. Hoje, no auge dos seus 57 anos, Odair Secco Cristovam toca uma loja especializada em venda, locação e confecção de fantasias, a Encanto Fantasias, além de presidir uma das principais entidades do setor na cidade, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

De poucas palavras, mas todas elas muito pertinentes, o bauruense se diz orgulhoso da própria história e chegou a se emocionar ao se lembrar do dia em que conheceu a antiga casa dos seus avós paternos, em Malhadal, uma pequena aldeia de Portugal.

Primogênito do já falecido Joaquim Alves Cristovam e da dona de casa aposentada Liberata Secco Cristovam, de 87, Odair possui outros três irmãos. Aos 21 anos, ele se casou com a também comerciante Rosângela Donaire Del Rio Cristovam, de 55, com quem teve os filhos Catarina e Rafael, bem como os netos Ricardo e Alice.

Com o comércio, Odair conquistou independência financeira e prudência. Tal característica, inclusive, permitiu que o empresário sobrevivesse em meio à quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus, considerada por ele uma tragédia sem precedentes na história contemporânea.

A seguir, Odair revive a sua trajetória pessoal, que muito se mescla com a profissional. “Eu nasci e cresci no comércio”, complementa. Confira alguns trechos da entrevista:

Jornal da Cidade – O senhor começou a trabalhar muito cedo, né? Como foi a sua infância?

Odair Secco Cristovam – Eu nasci em Bauru e nunca saí da cidade. Na época, era tudo muito tranquilo e conseguia brincar na rua. O meu pai tinha uma lanchonete chamada Bar Pioneiro, na quadra 7 da avenida Rodrigues Alves. Lá, comecei a trabalhar como atendente. Aprendi tudo o que sei até hoje, afinal, nós vivíamos do comércio.

JC – Em que momento decidiu abrir o próprio negócio?

Odair – Eu me casei com 21 anos de idade. Precisava montar algo para sustentar a minha família, momento em que abri uma loja especializada em roupas infantis. A unidade ficava no mesmo quarteirão que estou até hoje: quadra 1 do Calçadão da Batista de Carvalho. Em 2021, completo 34 anos de loja e creio que seja o comerciante mais antigo do quarteirão.

JC – Pelo visto, os seus filhos foram “criados” na loja…

Odair – Sim. A Catarina trabalha comigo até hoje, mas o Rafael seguiu outro caminho. Eu me lembro que, enquanto bebê, ele ficava em um moisés em cima do balcão, fato que chamava atenção da clientela.

JC – Como era o Calçadão quando o senhor chegou, há 34 anos?

Odair – Quando eu cheguei, não existia Calçadão. Ainda passavam carros. Confesso que prefiro o espaço daquela época, muito mais bem cuidado. O movimento, principalmente da quadra 1, era intenso, porque o pessoal que fazia baldeação na Estação Ferroviária corria para lá para comprar uma coisa ou outra.

JC – Por qual motivo acabou mudando o perfil da empresa?

Odair – Há 14 anos, com a chegada das grandes redes, que também vendiam roupas infantis, eu resolvi expandir o meu segmento. Hoje, vendo, alugo e confecciono fantasias, além de comercializar uniformes escolares.

JC – O senhor conheceu a sua esposa no comércio?

Odair – Não. Nós fomos apresentados pelos meus primos. Anos depois, descobrimos que os nossos pais se conheciam desde a época de solteiros.

JC – Destacaria algum acontecimento envolvendo o Calçadão que te marcou?

Odair – A visita do Papai Noel sempre me emocionou, porque a sua chegada de Maria Fumaça foi ideia minha. Antes, o Bom Velhinho só passava pelos quarteirões da Batista.

JC – Como entrou para a CDL?

Odair – Eu recebi um convite do senhor Orlando Burgo há cerca de 28 anos. Entrei como diretor e ocupei vários cargos. Em 2019, assumi a presidência, função que ainda desempenho.

JC – O senhor imaginava que, um dia, se tornaria uma liderança do comércio?

Odair – Eu não procurei por isso, mas acabei merecendo por algum motivo. Mesmo que fale pouco, me considero participativo. Sempre que tem alguma discussão que necessita da posição da CDL, principalmente ao longo da pandemia, cuja quarentena agravou a situação dos comerciantes, faço questão de estar presente.

JC – Falando nisso, qual é a posição da CDL em relação às restrições vigentes?

Odair – Eu creio que nenhum comerciante tenha passado por algo parecido na nossa história recente. É triste ver as lojas encerrando as atividades de vez. Nós defendemos, portanto, a reabertura do comércio, desde que o pessoal siga os protocolos. Paralelamente, fazemos parte do movimento que pede a criação de novos leitos no Hospital das Clínicas (HC). 

JC – O senhor tem algum hobby?

Odair – Eu gosto de viajar e andar de motocicleta. Em relação às viagens, já conheci Portugal e Espanha. No caso de Portugal, aproveitei para visitar a antiga casa dos meus avós paternos, situada em uma pequena aldeia chamada Malhadal. Quanto ao motociclismo, cheguei a percorrer 850 quilômetros em um único dia, de Bauru a Florianópolis, em Santa Catarina.

JC – Alguma história interessante em relação a esse hobby de andar de moto?

Odair – Enquanto jovem, eu tinha uma CB 450, mas precisei vender para o meu irmão, que a manteve por 29 anos. Recentemente, recuperei o veículo, que se juntou à minha BMW 1.200, além do meu triciclo.

JC – O que o senhor aprendeu com o comércio?

Odair – A ter os pés no chão e não fazer qualquer investimento sem uma real necessidade. Primeiro, eu mantenho o meu estoque e, depois, penso no resto. Creio que, por isso, consegui sobreviver às restrições desta quarentena.

Fonte: jcnet
por Cinthia Milanez
 Foto: Malavolta Jr