O estelionato prevê uma pena de 1 a 5 anos de reclusão, mas ela pode aumentar se houver associação criminosa, que se configura quando mais de três pessoas estão envolvidas no mesmo crime.
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Agilidade do Pix favorece os golpes virtuais, alerta Polícia Civil de Bauru

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Ao contrário de TED ou DOC, que possibilitam o cancelamento da transação no mesmo dia, a nova modalidade é instantânea

A rapidez com a qual o Pix executa as transferências em dinheiro facilita a vida de muita gente, inclusive, a dos estelionatários, que passaram a se esbaldar ainda mais com os chamados golpes virtuais, conforme alerta a Polícia Civil de Bauru. De acordo com a instituição, os crimes que mais fazem vítimas na cidade são o da compra e venda de veículos pela Internet, bem como o do WhatsApp clonado. A nova tecnologia também dificultou as investigações, já que algumas chaves, como os telefones dos golpistas, exigem um tempo maior para a corporação chegar aos criminosos.

Titular do Setor de Investigações Gerais (SIG), em Bauru, o delegado Alexandre Protopsaltis explica que, como as transferências pelo Pix são instantâneas, as vítimas não conseguem voltar atrás tão logo descobrem que caíram em um golpe. “Se você faz um TED ou um DOC, ainda dá para cancelar a transação no mesmo dia”, complementa.

Além disso, o delegado frisa que algumas chaves, como os telefones dos golpistas, fornecem pouca informação para a polícia. “Nós precisamos fazer uma investigação mais demorada para chegar até os criminosos, fato que gera uma sensação de impunidade e incentiva os estelionatários a dar continuidade ao crime”, acrescenta.

Mesmo assim, a polícia afirma conseguir chegar até os golpistas, mas, como já passou certo tempo, raramente recupera o dinheiro das vítimas. “A maioria dos golpes aplicados em Bauru é de autoria de pessoas de fora do município e, por isso, nós encaminhamos os casos para as polícias das suas respectivas cidades”, revela.

FAZEM MAIS VÍTIMAS

Ainda de acordo com Protopsaltis, os golpes que mais fazem vítimas em Bauru são o da compra e venda de veículos pela Internet, bem como o do WhatsApp clonado. No primeiro caso, os golpistas entram como intermediários da negociação e enganam tanto os compradores, que depositam o dinheiro para os criminosos antes de retirar os automóveis, quanto os vendedores.

Estes, por sua vez, pensam que conseguiram comercializar os bens, mas, na verdade, não receberão o dinheiro.

No caso do WhatsApp clonado, os criminosos entram em contato com as vítimas pedindo um código que elas receberam por mensagem de texto. Muitas vezes, os golpistas se passam por gerentes de banco para conseguir o que querem.

Com o código de segurança em mãos, os criminosos passam a usar o WhatsApp das vítimas e a pedir dinheiro para os seus contatos.

ORIENTAÇÕES

A dica, segundo o delegado, é não passar os dados pessoais a desconhecidos e fugir de anúncios fáceis demais. “No caso da compra e venda de veículos pela Internet, as pessoas devem negociar pessoalmente”, completa.

O estelionato prevê uma pena de 1 a 5 anos de reclusão, mas ela pode aumentar se houver associação criminosa, que se configura quando mais de três pessoas estão envolvidas no mesmo crime.

Por Cinthia Milanez
JCNet
Foto: Aceituno JR.