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A cada dia, duas mulheres são vítimas de agressões em Bauru

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A cada dia, duas mulheres são  vítimas de agressões em Bauru

Apesar de números serem preocupantes e ainda ocorrer subnotificação, houve ligeira queda; programação municipal foi aberta

E m 20 anos de casamento, foram vários episódios de violência, mas, só depois do último – em fevereiro deste ano -, em que foi dopada e agredida, uma professora de 37 anos resolveu se divorciar e solicitar a medida protetiva contra o marido. “Ele se reaproximava e prometia mudar. Dizia que estava indo para a igreja, mas eu não acredito mais. Eu era perseguida e vivia em uma prisão.

Quero distância, tenho medo que ele reapareça e me faça mal”, relata a vítima, que terá sua identidade preservada. Assim como ela, ao menos duas mulheres enfrentam diariamente agressões em Bauru. De janeiro a outubro deste ano, 595 vítimas registraram boletins de ocorrência na Polícia Civil por lesões corporais.

Embora os dados sejam preocupantes e haja extensa subnotificação dos casos, houve ligeira queda nos números em relação ao ano passado que, no mesmo período, registrou 660 ocorrências (-10%).

Ontem, um evento com autoridades no Teatro Municipal MARCELE TONELLI marcou a abertura da programação em alusão ao Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, comemorado em 25 de novembro.

RECUOU Assim como as agressões físicas, as ameaças caíram de 619 para 594 (-4%). E as solicitações de medidas protetivas também reduziram, de 481 para 405 (-15%). Na contramão, os feminicídios e tentativas de feminicídios apresentaram aumento de, respectivamente, nenhum caso do ano passado para um neste ano, e de dois em 2017 para cinco em 2018. A delegada Priscila Bianchini, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), diz que, apesar de alto, o número é estável. “Tivemos muitas prisões, inclusive em âmbito nacional, por conta da violência contra a mulher.

A ampla divulgação disso pode estar forçando os agressores a recuarem. Ainda assim, temos um alto número de registros e precisamos considerar que há a subnotificação, mas que não é tão alta. A mulher esta mais consciente”, comenta Bianchini. Sobre o recuo nos pedidos de medidas protetivas, ela diz que o fato é consequência deste processo. “É proporcional. Nem todo inquérito policial engloba a medida protetiva, algumas só querem processar seus parceiros. De cada 10 mulheres, 4 solicitam.

Até porque é algo que recai sobre os filhos e eles ficam impedidos de verem os pais. Então, elas abrem mão para não prejudicar a convivência”, detalha. INDEPENDÊNCIA Presidente do Conselho Municipal de Políticas para as Mulheres, Marizabel Ghirardello diz que as mulheres levam de 3 a 10 anos para quebrarem um ciclo de violência doméstica. A maioria das vítimas tem entre 25 e 45 anos. “Apenas quando atingem a independência financeira é que elas conseguem se desvencilhar do agressor. Esta é a base da denúncia hoje”, pontua.

A delegada reforça que parte das vítimas dos feminicídios, entre 2016 e 2017, havia sequer registrado BO contra seus agressores. “Um homem reprimido não anuncia o crime, mas pode ser perverso quando explode por ser contrariado.

Ele começa falando da roupa, geralmente, e mancha a imagem dela”, alerta Bianchini. Recentemente, a Rede de Combate à Violência contra a Mulher na cidade ganhou mais uma unidade aliada, a Casa da Mulher, que contará com atendimento psicossocial e médico especializado.

Hoje, ao ser atendida pela PM, nas delegacias ou nas unidades médicas, a vítima de violência, seja menor ou maior de idade, é orientada a procurar serviços como o Centro de Referência da Mulher (CRM), mantido pela Sebes e que oferece abrigo.

Outra boa novidade no tema é, conforme o JC noticiou, o Anexo de Violência contra a Mulher, situado no Bela Vista. Inaugurado na semana passada, o novo anexo é uma parceria entre o Tribunal de Justiça, a Prefeitura de Bauru e a Unesp.

O local atenderá tanto vítimas quanto autores.