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Comércio faz ‘Mutirão Limpa Nome’ para o Dia das Mães

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Elion Pontechelle, da CDL, fala sobre inadimplência em Bauru

Ação proporciona facilidades no pagamento de dívidas e visa ampliar vendas na segunda melhor data para os comerciantes.

Um mutirão ajudará os consumidores em situação de inadimplência a não deixar as mamães de “mãos vazias”. Promovido pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), por meio do seu Departamento de Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), o “Mutirão Limpa Nome” já começou e segue até as 13h de 11 de maio. O foco são justamente as vendas para o Dia das Mães, que é considerada a segunda melhor data do comércio.

Ao longo do mutirão, será possível conseguir mais facilidades de pagamento de dívidas com as aproximadamente 1 mil lojas associadas da CDL. Mas quem possui pendências financeiras com outras empresas não associadas à entidade também terá oportunidades na ação. É que as equipes do departamento, em nome dos devedores, entrarão em contato com as lojas credoras para tentar propor negociação.

Para participar do mutirão, basta comparecer na rua Bandeirantes, 4-7, Centro, ou ligar (14) 2106-7070. O serviço funcionará de segunda a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados, das 9h às 13h.

Ao pagar a primeira parcela do acordo firmado durante o mutirão, o devedor terá seu nome retirado do SPC automaticamente.

37,4 MIL DEVEDORES

Segundo dados da CDL, Bauru possui 37,4 mil devedores negativados e uma dívida ativa acumulada em R$ 49,4 milhões. O valor médio das pendências por inscritos chega a R$ 1,3 mil. 

“No mutirão, nós conseguimos até 80% de desconto dos juros em dívidas antigas (acima de dois anos e meio), além de parcelar os valores entre 12 e 14 vezes. Quando o normal do parcelamento, sem o mutirão, seria entre 6 e 8 vezes”, explica o advogado da CDL Elion Pontechelle Júnior.

O mutirão com foco no Dias das Mães é similar ao realizado aos finais de ano. Mas, pela primeira vez, a entidade resolveu estender a ação para aumentar ainda mais a expectativa dos lojistas da cidade frente ao Dia das Mães.

Nos dois primeiros meses deste ano, 2.556 pessoas “limparam seus nomes” no SPC, número 22,5% (470 em números absolutos) maior que o mesmo período do ano passado, quando 2.086 pessoas se livraram das dívidas.

SITUAÇÃO ATÍPICA

As inclusões de novos negativados, no entanto, foram superiores: 12.696 novos devedores foram inseridos no SPC neste ano, índice 280% maior (9.355 em números) do que o registrado no mesmo período de 2018, quando 3.341 devedores foram negativados.”Normalmente, o índice de exclusões do cadastro é maior, mas houve uma situação atípica, em que uma grande empresa cadastrou muita gente no mês de janeiro de 2019″, comenta Elion. “Mas, percebemos que o desregramento do consumidor no fim de ano foi grande. Muita gente gastou mais do que tinha, na expectativa de conseguir pagar as contas com 13.º salário e férias. Só que não conseguiram”, finaliza o representante da CDL.

Presidente Jair Bolsonaro sanciona o cadastro positivo

O presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou ontem, sem vetos, o projeto que prevê a inclusão obrigatória de todos os consumidores (pessoas físicas e empresas) no cadastro positivo, composto por bons pagadores e com informações sobre pagamentos em dia e empréstimos quitados.

Sem a medida, a inserção do nome nessa lista precisava de autorização expressa e assinada do cliente. O texto prevê que a inclusão no cadastro será automática, e o consumidor que quiser sair terá de solicitar a exclusão.

O cadastro positivo – que já existe desde 2013 – havia sido aprovado no Senado por 66 votos a 5. A medida é defendida pelo Banco Central como forma de baratear o crédito para as pessoas que têm as contas em dia.

Por meio dele, os consumidores que quitam seus financiamentos terão uma pontuação maior e, em tese, poderão ter melhores condições na hora de fazer compras ou empréstimos.

Após a sanção do presidente da República, o Banco Central deve editar uma regulamentação, em um prazo de até 90 dias. Depois disso, há ainda um prazo adicional, para que as empresas possam se adaptar.

O texto aprovado pode abrir uma brecha para que o brasileiro limpe seu nome e construa um histórico de bom pagador. Isso porque, de acordo com empresas que administram essas informações só serão coletados os dados gerados a partir do momento em que o texto entrar em vigor.