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3,5 mil ‘limpam’ o nome com ajuda de auxílio e taxa de juros

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Dados do Serviço de Proteção ao Crédito da CDL são referentes aos últimos 12 meses

A pandemia do novo coronavírus agravou a crise econômica brasileira, provocou a extinção de muitos postos de trabalho em Bauru e o fechamento de várias empresas. Porém, ao contrário do que se poderia esperar, os níveis de inadimplência recuaram neste ano, conforme mostram os dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

Em setembro de 2020, 35.385 bauruenses estavam inscritos no cadastro de inadimplentes do comércio local, número 9% menor do que os 38.889 registrados no mesmo mês do ano passado. Já o valor acumulado da dívida caiu de R$ 45,345 milhões para R$ 43,534 milhões.

De acordo com o consultor jurídico da CDL de Bauru, Elion Pontechelle Junior, este resultado é reflexo direto da concessão do auxílio emergencial pelo governo federal, bem como da redução da taxa básica de juros para um patamar histórico de 2%, o que permitiu a negociação de dívidas em condições mais favoráveis aos devedores. “Perto de 80% dos devedores tinham dívidas abaixo de R$ 500,00. Então, muitos conseguiram quitar o débito com o auxílio emergencial”, pontua.

Pontechelle Junior diz, ainda, que uma parte dos trabalhadores que perderam o emprego utilizou as verbas rescisórias para tirar o nome do SPC, ao mesmo tempo em que freou o nível de consumo para não contrair novos débitos. “Em setembro, tivemos um Mutirão Limpa Nome e muitos nos procuraram para fazer um acordo”, acrescenta.

FUTURO

A própria interrupção das atividades do comércio e serviços nos primeiros meses de pandemia também contribuiu para a redução do volume de vendas e, consequentemente, de dívidas. Para se ter ideia, nos primeiros nove meses de 2020, 8.227 pessoas foram inscritas no cadastro de inadimplentes da CDL, volume 68,8% menor do que as 26.390 inclusões contabilizadas entre janeiro e setembro do ano passado.

A grande dúvida, contudo, é saber se este nível de inadimplência irá se sustentar quando o auxílio emergencial acabar, em dezembro, e a economia precisar voltar a se sustentar sem esse “socorro”. O temor é de que haja uma explosão da inadimplência já no começo de 2021.

“Em janeiro, haverá a conjugação de dois fatores: o fim do auxílio emergencial e o pagamento de contas, inclusive das contraídas no Natal e Ano Novo. Agora, as pessoas têm renda por uma condição artificial, que é o auxílio. Se os empregos não forem recuperados até o fim do ano, e tudo leva a crer que esta recuperação não ocorrerá tão rapidamente, a inadimplência tende a aumentar de novo”, analisa.

Por: Tisa Moraes
JCNET
Foto: Vinicius Bomfim/JC Imagens