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Inadimplência afeta mais de 35 mil pessoas em Bauru

SPC revela que total de dívidas no comércio corresponde a R$ 54,6 milhões

Bauru entrou em 2017 com 35.549 consumidores cujos nomes estão incluídos no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) – quase 10% da população da cidade. Juntos, eles são responsáveis por uma dívida acumulada em R$ 54,6 milhões no comércio. De todas as faixas etárias consideradas, a maioria dos inadimplentes possui entre 31 e 40 anos, com 26,68%.

Em âmbito nacional, pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra que, em dezembro passado, 56,6% das famílias possuíam algum tipo de dívida – o menor patamar desde maio de 2012. Em novembro, esse percentual era de 57,3% e, em dezembro de 2015, 61,1%.

“Apesar da desaceleração da inflação, a manutenção do crédito caro, aliada ao alto nível de desemprego, limita o consumo e, consequentemente, reduz os níveis de endividamento. Contudo, em médio prazo, não deve haver um recuo mais intenso dos indicadores de inadimplência devido às condições econômicas adversas”, afirma o economista da CNC Bruno Fernandes.

POR GÊNERO

As mulheres são as mais endividadas no setor comercial em Bauru. Segundo estudo da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), quando o sexo do devedor é informado, a parcela feminina responde por 60% da dívidas contraídas e não pagas pelos consumidores nos últimos cinco anos.

Malavolta Jr. ZÉ

Aldemiro José Alves, da CDL, fala sobre o cenário de Bauru

O SPC é tido como o principal termômetro econômico da inadimplência. Presidente da CDL, Aldemiro José Alves acredita que as mulheres possuem a maioria das dívidas porque, de maneira geral, são as que mais assumem responsabilidade sobre as compras – incluindo a roupa dos filhos e muitas vezes também as do marido, bem como os mais diversos itens para a casa.

“Com isso, é natural que o nome delas seja inscrito com mais frequência no cadastro do SPC do que os homens. E, nesta faixa entre 30 e 40 anos, muitas ainda não têm maturidade suficiente para administrar todos estes gastos”, diz

Trata-se de uma realidade moldada pela cultura do País, assim como é o fato de as mulheres serem, também de maneira geral, mais consumidoras do que os homens com produtos de beleza. “Elas consomem, por exemplo, muito mais cosméticos e perfumes”, frisa Alves. Algo esperado dentro de uma sociedade que exige, em uma medida muito mais intensa, que elas estejam sempre em dia com a aparência do rosto, corpo e cabelos.

INDISCIPLINA

O economista Fernando Pinho destaca que a falta de disciplina financeira característica do brasileiro não é uma exclusividade das mulheres. Mas, por estarem cada vez mais inseridas no mercado de trabalho e desempenhando, muitas vezes, a função de chefes de família, não é de se espantar que elas representem parcela significativa dos inadimplentes.

“E não são tão raros os casos em que os maridos saíram de casa deixando as mulheres e os filhos sem qualquer apoio financeiro. Então, passa a recair sobre ela toda a responsabilidade sobre as despesas da família”, frisa.

É o que ocorre com mais de 44 mil bauruenses que são “arrimo de família” em Bauru. Segundo dados mais recentes do IBGE, do Censo 2010, elas já representam 40% das pessoas responsáveis pelos lares da cidade, mesmo que, em alguns casos, não consigam fazer as contas da casa caberem no orçamento. “Houve uma mudança tremenda no perfil das famílias. Mas, ainda que as mulheres tenham alcançado um patamar de renda que elas não tinham há 50 anos, quando apenas a minoria estava no mercado de trabalho, não significa dizer que elas, agora, tenham folga financeira”.

Isso porque, segundo o economista, a população brasileira não está acostumada a poupar e, sempre que obtém um ganho salarial, tende a elevar seu padrão de consumo. “E as mulheres, diante do estímulo da publicidade e da exigência da sociedade, podem ter mais dificuldades em dizer não ao consumismo, muitas vezes às custas do endividamento”.

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